quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Grenouille, um alquimista do crime.




















Por:Luciana Rosa


O livro "O perfume, a história de um assassino" do alemão Patrick Süskind foi publicado em 1985 e é uma das 5 obras deste autor traduzidas para o português. Este livro ficou conhecido como uma das obras mais destacadas da literatura alemã da década de 1980.

Patrick Süskind é um historiador, especialista nos períodos medieval e moderno, talvez por isso retrate tão bem o imaginário europeu, e mesmo o cotidiano das pessoas durante do século XVIII, período em que se passa a narrativa do livro.

Jean-Batiste Grenouille, é um pobre diabo que nasce em meio a uma peixaria nos arredores de Paris. Ali, na sujeira, imerso em uma cidade que em função da Revolução Comercial e Urabana do século XII crecera demasiadamente. A sobreposição de pessoas, a falta de uma estrutura de saneamento faziam da Europa e, especialmente de Paris, um dos lugares mais fedorentos de todo o mundo.

Ao mesmo tempo em que se vivia o império do mau-cheiro, existem profissionais que fazem da captação dos aromas sua ciência. A produção de perfumes na era pré-moderna é quase uma operação de alquimia, sendo que apenas poucos iniciados tinham aval para exercer tal função.

Grenouille, que muito mais se assemelha a um rato do que a um ser humano, tem o dom natural de sentir todos os oderes, seu olfato é algo de sobrenatural. Entretanto, ao mesmo tempo que ele pode sentir o cheiro de alguém a quilometros de distância, o mesmo não acontece para com ele, pobre criatura sem cheiro nenhum.

Jean-Bastipte nunca sentiu amor por alguém, ou mesmo foi amado - ora, quem amaria alguém sem cheiro? O sentimento mais próximo que tivera de amor, foi o fascinio que sentiu pelo perfume natural de uma bela moça, a quem este assassina para roubar-lhe a fragrância.

A partir do crime, Grenouille traça um plano, assassinar 26 mulheres, as mais belas que encontram, sejam elas prostitutas, camponesas ou donzelas e transformar sua beleza em perfume...se ele consegue e o que faz com isso, são letras a serem descobertas pelo leitor, afinal este também é um livro de mistério.

Este livro pode causar reações adversas a quem o lê-lo, você pode começar a sentir cheiro no vidro, na madeira, no aço, e em tantos outros elementos que antes acreditavas ser inodoro. O perfume é uma obra que fascina, Kurt Cobain, ex-líder do Nirvana era fã confesso, tanto que a canção "Scentless Apprentice" do albúm "In Utero" é uma referência ao livro.




















Por fim, a que se dizer que esta obra foi adaptada para o cinema, apesar de durante muito tempo este feito ser considarado improvável: "Como traduzir odor para as telas"? No entanto, o diretor de "Corra, Lola", corra e "Paraíso" Tom Tykwer encarou este desafio e estreou em 2006 com a película. O narrador em terceira pessoa teve de ser mantido, o que para muitos não funciona muito bem no cinema, entranto, assim como o livro o filme é uma grande obra, na minha humilde opinião.

Um comentário:

Programa Palavra Falada disse...

Apesar de não ter lido o livro, vi o filme. A parte que mais gostei foi o final (e que muitos consideram absurdo), pois parece ser o momento que a obra revela o seu verdadeiro objetivo. O que até então parecia uma história de mistério e crime se revela uma ótima sátira a Paris da época. Num lugar tão imundo a visão é um sentido secundário em relação ao olfato. Provavelmente se Grenouille revelasse a sua fragrância hoje ninguém cairia de amores por ele, mas naquela época um bom cheiro era como a visão do paraíso. A história deve estar relacionada com o fato de a França ser reconhecida pela excelência de seus perfumes. Talvez, só em um império do mal cheiro possam surgir as melhores fragrâncias.

Maicon