
Por: Luciana Rosa
Há quem diga que aquele que não leu Misto-quente, não leu Bukowski. O velho safado, como o autor é conhecido, relata neste livro a infância e adolescência de seu alter-ego Henry Chinaski.
Subúrbio de Los Angeles(Califórina - EUA) na década de 20 e 30, a crise gerada pelo crash da bolsa de valores em 1929 assola os Estados Unidos, as conseqüências são ainda mais drásticas para os desajustados. A família de Henry, em especial seu pai, não possuem nenhum tipo de perspetiva, não existe nenhum tipo de sentimento, ou de esperança na relação dessa família, ou mesmo entre seus integrantes e o mundo ao seu redor.
Chinaski é um retrato disso, ele não faz amizades no colégio, apanha sempre dos garotos mais populares e enquanto seus colegas estão iniciando sua vida sexual, ainda que precocemente, Henry continua apenas imaginando coisas com as professoras.
Henry, o protótipo do velho safado, aprende a beber ainda cedo, na mesma fase em que procura por trabalho, mas não consegue permanecer mais de três dias em uma mesma função. Sua infância e adolescência se mostram um momento em que ele apenas aprende o que viria a ser uma de suas prinipais caraterísticas: a total indiferena diante dos fatos.
Escrever é um refúgio, é um prazer, mentir para que as pessoas se ludibriem, essa é a jogada de Chinaski. Sem perspectivas, sem heranças, sem dinheiro, só lhe resta a velha máquinha de escrever. E assim se fazem os vagabundos - cá para nós,tão charmosos - que as agruras do século XX tanto produziram.
P.S. Se tiver intenções de ler Bukowiski, não esqueça de passar no mercado e comprar algumas cervejas. Ninguém pode entender Chinaski de "bico-seco".

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